13 de abr. de 2010

Precisamos acordar, a vida passa e não percebemos.

A vida às vezes prega peças nas pessoas e tem hora que eu penso que é de propósito. O sujeito vive uma vida como se fosse imune a tudo, muitas vezes numa vida relapsa ou preocupada por demais, às vezes uma vida com bastante prepotência e arrogância. Vive como se o mundo girasse em torno de si, uma loucura sem tamanho e talvez seja nesta loucura é que se explique estas atitudes. Erasmo de Rotterdam em um trecho do seu livro “Elogio da Loucura”, já dizia: “Pois bem, se eu (loucura) fosse expulsa da sociedade, ninguém poderia suportar por um momento sequer seu semelhante e cada um dos homens haveria de olhar para si mesmo com desgosto e ódio”... “De fato, de que adianta a beleza, melhor presente dos deuses imortais, se acaba por esvair-se? De que adianta a juventude, se acaba por se corromper por um aborrecimento senil? Em todas as tuas ações, o primeiro princípio que deves observar é a decência. Sequer conseguirás ser decente para contigo mesmo, e muito menos para com os outros, a não ser graças a essa feliz Philautia [amor próprio), que é minha irmã, porquanto colabora comigo em qualquer circunstância. Mas como se poderia aparecer com graça, encanto e ter sucesso, estando descontente consigo mesmo? Tentai suprimir esse sal da vida e logo o orador perde o entusiasmo em seu discurso, a melodia do músico começa a aborrecer, o ator é vaiado em sua representação, todos riem do poeta e de suas musas, o pintor fica estático diante de sua tela o médico morre de fome com suas receitas. É necessário, portanto, que cada um se agrade de si mesmo e se felicite para ser aplaudido pelos outros. Se a felicidade consiste essencialmente em querer ser o que se é, minha serva Philautia [amor próprio] o facilita totalmente. Ela faz com que ninguém fique desgostoso com sua aparência, com seu talento, com sua família, com sua posição na sociedade, com sua educação, com seu país. Tanto isso é verdade que o irlandês não gostaria de ser italiano, nem o trácio de ser ateniense, nem o cita de ser habitante das ilhas Afortunadas. Que surpreendente providência a da natureza que faz desaparecer tão maravilhosamente tantas desigualdades”! Na verdade o que Erasmo nos fala realmente neste trecho do seu livro, é que damos valor demais a pequenas coisas e nestas pequenas coisas nos valorizamos muito. Para ele tudo isso é loucura, por isso Elogio da Loucura, que ele escreveu como uma sátira a sociedade daquela época, acaba sendo atual. Nossa vida passa muito rápido, pouco tempo eu era criança, adolescente, fiquei jovem, casei, hoje com 51 anos já sou avô. Como isso passou muito rápido! Quantas coisas aconteceram que serviram muito para melhorar o meu eu. E as coisas acontecem é para que possamos perceber que não somos o centro do universo, pelo contrário, uma pequena e minúscula partícula deste universo, mas paradoxalmente, uma minúscula partícula, que é muito grande, mas grande mesmo aos olhos de Deus. Isto somos nós, pequenos para o mundo, grande se nós quisermos e infinitamente enorme aos olhos do criador, que nos ama incondicionalmente, como nos relata o profeta Isaias: “Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, entrego nações em troca de ti”. (Is,43,4). Pensem bem, vale a pena ser feliz. E o ser feliz, está nas pequenas coisas, que na maioria das vezes, não damos valor e não em grandes coisas que nos afasta do equilíbrio.

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