19 de abr. de 2010

AMIZADE! COMO VALE A PENA!

Amigo, é coisa para se guardar no peito, como dizia a canção. A amizade verdadeira entre as pessoas é um sentimento muito lindo. Embora muita gente não acredite em amizade verdadeira, sincera, talvez por decepções com amigos; por não conseguir ser sincero e acreditar que todos são assim. Mas ela existe e como existe. É preciso romper barreiras e pré-conceitos de vários tipos, colocar-se no lugar do outro, aproximar ou ver aproximação do outro, sem pensar que há segundas intenções. O sentimento da amizade é descrito pelo Aurélio da seguinte forma: “Sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas que geralmente não são ligadas por laços de família ou por atração sexual...”É possível isto entre seres humanos? É claro que é possível, assistimos muitas demonstrações de amizade conosco. Sabemos que existe a inimizade mas, não podemos ser radicalmente cético em relação a este sentimento. Eu quero neste espaço agradecer a toda manifestação de carinho que recebemos de sexta-feira até hoje, quando usando esta rede de amigos que temos, ao pedir orações pela minha querida e amada esposa Isabel, que voltou ao tratamento do câncer e o retorno dos amigos foi extraordinário. Sabemos que ela vai vencer, pois é guerreira, não se entrega, mulher de fé e contando com uma legião de amigos, independente da crença religiosa intercedendo ao Senhor da Vida por ela. Uma pessoa que desde a juventude se colocou a serviço de Deus, por acreditar no amor e na amizade de Jesus por cada um de nós, conforme nos relata o evangelista São João: Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. (Jô 15,15) Peço a vocês que leram, até este momento, que tenham mais um pouquinho de paciência (prometo que a próxima postagem será curta) e leia este bonito texto, que recebi de um casal amigo, Márcio e Nívia, que conheci em um Congresso da Pastoral da Família, nos tornamos amigos, eles são de Prudentópolis, Paraná. Um obrigado meu, da Isabel e de nossa família, do fundo do nosso coração, a todos. Você sabe o valor de uma Amizade? Um dia, durante uma conversa entre advogados, me fizeram uma pergunta: "O que, de mais importante, você já fez na sua vida"? A resposta me veio na hora, mas não foi a que respondi, pois as circunstâncias não eram apropriadas. No papel de advogado da indústria do espetáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre meu trabalho com as celebridades. Mas aqui vai a verdadeira, a que surgiu das profundezas das minhas recordações. O mais importante que já fiz na minha vida, ocorreu em 08 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um ex-colega e amigo meu, que há muito não via. Entre uma jogada e outra, conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um. Ele me contava que sua esposa e eles acabavam de ter um bebê. Enquanto jogávamos, chegou o pai do meu amigo, e consternado, lhe diz que seu bebê parou de respirar e que foi levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro de seu pai e se foi. Por um momento fiquei onde estava, sem pensar nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer: Seguir meu amigo ao hospital? Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada, pois a criança certamente está sob cuidados de médicos, enfermeiras, e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação. Oferecer meu apoio moral? Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários, acontecesse o que acontecesse. A única coisa que eu faria indo até lá, era atrapalhar. Decidi que mais tarde iria ver o meu amigo. Quando dei a partida no meu carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro, aberto e com as chaves na ignição, estacionado junto às quadras de tênis. Decidi, então, fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves. Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que os consolavam. Entrei sem fazer ruído e fiquei junto à porta pensando o que deveria fazer. Não demorou muito e surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunica o falecimento do bebê. Durante os instantes que ficaram abraçados, a mim pareceu uma eternidade, choravam, enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silêncio de dor. O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança. Meus amigos ficaram de pé e encaminharam-se resignadamente até a porta. Ao me ver ali, aquela mãe me abraçou e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: "Muito Obrigado por estar aqui!" Durante o resto da manhã fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebê, despedindo-se dele. Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida!!! Aquela experiência me deixou três lições: Primeira: o mais importante que fiz na vida, ocorreu quando não havia absolutamente nada, nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exercia a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, me serviu para aquela circunstância: duas pessoas receberem uma desgraça e nada eu poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal. Segunda: estou convencido que o mais importante que já fiz na minha vida, esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi na universidade, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal, assim como faço na profissional. Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma de que devia ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhar meu amigo ao hospital. Terceira: aprendi que a vida pode mudar em um instante. Intelectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem com os outros. Assim, fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real, como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas, podem alterar este futuro em um piscar de olhos. Para alguns, é necessário viver uma tragédia, para recolocar as coisas em perspectiva. Desde aquele dia busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder umas férias, romper um casamento ou passar um dia festivo longe da família. E aprendi que, o mais importante da vida, não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras. "O mais Importante da vida é ter tempo para cultivar uma amizade". Não deixe seus amigos sem saber disso.

2 comentários:

  1. Caro vizinho e colega blogueiro Jorge
    Tenho um amigo que sempre fala: “quem encontra um amigo, encontra um tesouro”.
    Nada mais correto, pois o que temos de mais valor nesta vida, são as amizades, seja com o cônjuge, com os filhos ou amigos simplesmente. Sem estes vínculos, a vida não teria sentido, pois não somos uma ilha.
    Cada dia que passa, mais me convenço da importância e valor de uma amizade. Não falo em boa, grande ou intensa amizade, pois só existe uma: AMIZADE e pronto.
    E pode ter certeza, quando se fala que acabou uma amizade, é porque ela nunca existiu.
    Agora, o mais curioso é que não há fórmula para se fazer amizades. Ela simplesmente acontece e quando isso ocorre, tornamo-nos afortunados.
    Solidarizo com você, numa corrente positiva para que a Isabel supere sua dificuldade, que, com certeza, será momentânea.
    Parabéns pelo Blog e siga em frente.
    Abc.
    Ildeu

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  2. Obrigado Ildeu pela palavras sábias acrescentadas ao tema e também pelo incentivo e solidariedade. Um abraço fraterno a você e sua família.
    Jorge Mendes

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