8 de ago. de 2010

PAI E AS MÚSICAS

Hoje, ao me levantar, lembrei que se comemora o Dia dos Pais, data de origem criada “nos Estados Unidos, quando Sonora Luise resolveu criar o Dia dos Pais em 1909, motivada pela admiração que sentia pelo seu pai, William Jackson Smart. O interesse pela data difundiu-se da cidade de Spokane para todo o Estado de Washington e daí tornou-se uma festa nacional. Em 1972, o presidente americano Richard Nixon. Nos Estados Unidos, ele é comemorado no terceiro domingo de Junho. No Brasil, é comemorado no segundo domingo de Agosto. A criação da data é atribuída ao publicitário Sylvio Bhering, em meados da década de 50, festejada pela primeira vez no dia 14 de Agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família. (dia que também se comemora o dia do padrinho segundo a tradição católica)” e veio na minha mente a imagem do meu pai, do meu saudoso e inesquecível pai. Talvez na correria do dia a dia, não lembramos sempre do pai que já se foi, mas o dia hoje é diferente e uma saudade imensa invadiu meu coração. A imagem do meu pai, a lembrança de seus conselhos, suas conversas, suas histórias. E ao sair me vi cantarolando algumas músicas que se fizeram em homenagem aos pais e hoje com certeza em muitos almoços de família, algumas destas melodias estarão sendo tocadas. É engraçado como os alguns compositores fazem a música para homenagear seus pais, outros fazem até porque o tema é bom e vende CD, mas independente disso, sentimos-nos como se a música fosse feita para o nosso pai exclusivamente. Isto se dá, porque na música estão sendo colocados sentimentos que deveríamos verbalizar aos nossos pais e deixamos de fazê-lo, Quanta perca de tempo. Quanta vontade eu sinto hoje do meu pai estar aqui, junto com os meus filhos e hoje até os meus netos, para podermos comemorar juntos e abraçá-lo e dizer a ele o quanto eu o amo e sou agradecido a Deus por ser filho dele. E voltando nas músicas, é interessante ver como cada uma delas representa, uma etapa vivida com o pai. De várias músicas eu me lembrei de quatro e que duas eu até cantarolei hoje cedo. Eu lembro que na minha passagem da adolescência para a juventude, aquela fase de questionamentos e descobertas, que o mundo não era assim um sonho tão bonito, mas que era real, quando eu lembrava do meu pai na época eu cantava a música “Traumas” do Roberto Carlos e tem um trecho que diz assim: “Meu pai um dia me falou, prá que eu nunca mentisse, mas ele também se esqueceu de me dizer a verdade. Da realidade do mundo, que eu ia saber, dos traumas que a gente só sente, depois de crescer”. E outro que diz assim: “Da minha infância agora tão distante, aqueles anjos no tempo eu perdi, meu pai sentia o que eu sinto agora, depois que cresci, agora eu sei o que meu pai queria me esconder”. E também tem uma música que retarata muito outra etapa de vida e é cantada muito hoje, que é a canção “Pai”, cantada pelo Fábio Júnior, e uma parte que gosto muito fala assim: “Pai! Senta aqui que o jantar tá na mesa, fala um pouco tua voz tá tão presa, nos ensine esse jogo da vida, onde a vida só paga prá ver...Pai! Me perdoa essa insegurança, que eu não sou mais aquela criança, que um dia morrendo de medo, Nos teus braços você fez segredo, Nos teus passos você foi mais eu... Pai! Eu cresci e não houve outro jeito, Quero só recostar no teu peito, Prá pedir prá você ir lá em casa, e brincar de vovô com meu filho, no tapete da sala de estar, Ah! Ah! Ah!... Pai! Você foi meu herói meu bandido, Hoje é mais Muito mais que um amigo”. Depois já a mais tempo casado, meu pai já mais velho, eu adorava cantar uma música e foi uma das que cantei hoje, que é a canção “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo”, do Roberto Carlos e tem um trecho que diz assim: “Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse olhar cansado, profundo, me dizendo coisas, num grito, me ensinando tanto do mundo... E esses passos lentos, de agora, caminhando sempre comigo, já correram tanto na vida, Meu querido, meu velho, meu amigo. Sua vida cheia de histórias e essas rugas marcadas pelo tempo, lembranças de antigas vitórias ou lágrimas choradas, ao vento... Sua voz macia me acalma e me diz muito mais do que eu digo, me calando fundo na alma, Meu querido, meu velho, meu amigo”. E a última música me fala da dor da saudade, meu pai já não estava mais aqui e uma canção escrita pelo saudoso Sérgio Bitencourt em homengam ao seu falecido pai e cantada pelo também saudoso Nelson Gonçalves, que é a canção “Naquela Mesa” e que entre toda a sua letra eu destaco: “Naquela mesa ele sentava sempre e me dizia sempre o que é viver melhor, naquela mesa ele contava histórias, que hoje na memória eu guardo e sei de cor. Naquela mesa ele juntava a gente e contava contente o que fez de manhã e nos seus olhos era tanto brilho, que mais que seu filho, eu fiquei seu fã. Eu não sabia que doía tanto, uma mesa num canto, uma casa e um jardim. Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele ta doendo em mim”. Como é importante as reflexões na nossa vida e hoje é dia dos pais, o meu não está mais aqui, para que possa abraçá-lo fisicamente, mas darei o meu abraço na minha oração por ele e na lembrança do quanto ele foi importante na minha vida, e como ele foi O PAI. E na reflexão eu lembro hoje dos meus filhos, do que consegui passar para eles e vejo o reflexo nos meus netos. É momento de cada um pensar no valor de ser pai. Para você que ainda não é pai, por mais que você ame seu pai, só a experiência de ser pai te transforma e te faz entender tanta coisa que na sua juventude você não entendia e o ser pai tem este poder, claro que você próprio tem que enxergar isto, como nos fala o Pe. Zezinho no seu livro ORAR E PENSAR COMO FAMÍLIA: “Depois que tem um filho, nenhum rapaz é mais o mesmo. Se continuar o mesmo, não entendeu a vida, nem a paternidade”. Parabéns a todos os pais neste dia e ao meu pai de saudosa memória o meu muito obrigado pelo pai que ele foi. Aos meus filhos Leonardo, Marina e Raquel, obrigado por ter me ajudado a ser pai e aos meus netos, ah! meus netos, estou sendo pai duas vezes. A minha esposa Isabel, meus acertos na tarefa de pai, agradeço muito a ela e a Deus minha gratidão por confiar em mim o pacote completo.

4 de jul. de 2010

O FAIR PLAY NA VIDA

Em época de copa do mundo, temos ouvido algumas vezes os narradores esportivos usarem a expressão fair play. Muitas pessoas sabem o que significa isso, outras talvez não. O que significa Fair Play? A expressão fair play segundo consta nasceu em 1896, durante as primeiras Olimpíadas da Era Moderna, em Atenas. O organizador dos jogos daquele ano, Barão de Coubertin, foi o idealizador da filosofia por meio de uma declaração oficial que dizia: "Não pode haver jogo sem fair play. O principal objetivo da vida não é a vitória, mas a luta". Mas realmente o que quer dizer a tradução desta expressão? Fair Play significa “jogo limpo”, que no meio esportivo principalmente o futebol, mais que um “jogo limpo”, é uma troca de gentileza, um espaço de retribuição de cortesia, que muitas vezes era aplaudido pelo público presente. Um jogador se machuca, fica caído, o jogo prossegue, a bola está com o adversário que ao ver o colega do outro time no chão, manda a bola para fora. Ao retornar o jogo, a bola pertence ao time do jogador machucado, então um deles bate o lateral devolvendo para o adversário e não tirando proveito da situação. Fico pensando que a nossa vida muitas vezes, pode ser comparada a um jogo de futebol. Outro dia recebi um e-mail falando da vida e o futebol, trazendo uma comparação muito própria, sobre este esporte e a nossa vida. Realmente, quantas coisas se parecem, como as quedas, os impedimentos, os adversários, as derrotas, as vitórias, e também o que nos incentiva o e-mail recebido: que possamos driblar todas as tristezas e matar no peito todas as angústias e que se possa fazer lindas jogadas de paz e amor e comemorar muito. Mas o que eu gostaria muito que se repetissem na nossa vida, e no futebol é muito usado... é o fair play. Como as relações poderiam ser diferentes, se o “jogo limpo” fizesse parte do nosso dia-a-dia, a troca de gentileza, retribuição de cortesia, fosse tradução do nosso comportamento. Sei que muitos devem estar pensando, isso que ele escreveu é utopia, em um mundo competitivo como o de hoje, o flair play na vida é quase que impossível. Será? Mas acredito que é possível se tentarmos. Outro dia, eu estava em uma reunião da pastoral familiar em BH e lá eu vi entre os participantes, acontecer um verdadeiro flair play, o “jogo limpo” aconteceu naquele dia e foi espetacular, então percebemos que podemos ser melhores, a partir deste tão sonhado entendimento humano. Porque acredito tanto no flair play da vida? Porque a partir do momento que ele for usado por cada um de nós, nos transformaremos em seres melhores, contribuiremos para um mundo bem melhor e isto, acredito, pode acontecer, pois a vida é um aprendizado, fomos educados para sermos éticos (pelo menos muitos pais e professores nos passaram isso) e a educação nos mantém, como disse Skinner: “A educação é aquilo que sobrevive depois que tudo o que aprendemos foi esquecido”. Imagine-se usando o fair play no trânsito, numa rotatória, em uma fila de banco ou de supermercado. O que pensamos é o que o flair play muito mais que um comportamento, na verdade é uma forma de pensar; muito mais que um respeito a regras, é o conceito real de amizade, respeito, cortesia e gentileza para com todos. Vamos pensar nisso e mais do que pensar vamos agir, Freud já dizia que o "o pensamento é o ensaio da ação”. Sejamos um entusiasta da paz na vida, o flair play pode nos ajudar. Para ilustrar segue um momento de flair play espetacular acontecido no futebol, que é essa história: “Aconteceu num amistoso do Ajax, um time holandês que provou saber o que é fair play de verdade. Imagine só a situação, um jogador do Ajax tinha levado uma falta um pouco mais dura e estava no chão sentindo dores. Então, o time adversário educadamente põe a bola para fora do campo para que o jogador pudesse ser atendido. Até aí nenhuma novidade... Só que então, o jogador do Ajax ao tentar devolver a bola ao time adversário (o time é da Holanda), acabou fazendo um gol de placa, sem querer! Todos, inclusive o jogador que fez o golaço ficaram num estado mórbido, paralisados, porém o juiz fez o que tinha que ser feito e validou o gol... Eis então que o incrível acontece, ao reiniciar o jogo, todo o time do Ajax fica imóvel, permitindo assim que o time de amarelo fizesse um gol para que compensassem o que tinham feito sem querer”. Veja este lance no link a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=zGMjkEubDcI

19 de jun. de 2010

AMAR É ESCOLHER O ESSENCIAL

AMAR É ESCOLHER O ESSENCIAL - HÁ QUEM SE PRENDA AOS ERROS, DEIXANDO DE VALORIZAR A PESSOA ---------------------------------------------------------------------------- A globalização trouxe inúmeros benefícios ao homem. Atualmente, com extrema facilidade, temos acesso a outras culturas e a informações sobre tudo o que está acontecendo em todo o planeta. Uma quantidade demasiada de informações é despejada sobre nós cotidianamente. Temos acesso a muitas realidades e, conseqüentemente, corremos o risco de acabar sufocados em meio a toda essa diversidade. A vida nos apresenta uma multiplicidade de oportunidades. Através da tecnologia tudo se tornou mais rápido e fácil e temos a possibilidade de realizar muitas coisas ao mesmo tempo. Porém, mesmo em meio a muitas possibilidades, para ser feliz, o homem precisa escolher a melhor forma para consumir o seu tempo. Há quem passa horas navegando e conhecendo, superficialmente, muitas pessoas pela Internet, mas não consegue gastar 30 minutos com alguém que lhe é realmente importante, para que possa se aprofundar nesse relacionamento real. Pois prefere o descompromisso e a irrealidade do relacionamento virtual, que não exige nada, e que, muitas vezes, possibilita a informalidade e a ilusão. Há quem gaste horas e até dias com amigos, em farras e bebedeiras, mas não tem a capacidade de gastá-las com a família. Há quem tenha tempo para ir ao “Shopping Center”, ao clube, ao bar, mas não tem tempo para ir à Santa Missa. Há mulheres que ficam o dia inteiro no salão de beleza, mas não param para escutar o marido. Assim como há pais que estão perdendo os filhos, porque nunca tiveram tempo para escutar suas “tolas experiências”… Não existe relacionamento sem diálogo, família sem presença, felicidade sem prioridade. É muito triste para o homem, no fim de sua vida, perceber que desperdiçou tempo demais com o supérfluo e desprezou aquilo e aqueles que eram essenciais. Há quem se prenda aos erros, deixando de valorizar a pessoa que está por trás destes. Cargos passam, filhos crescem, pessoas adoecem, despedidas acontecem, o tempo passa… e, um dia, a vida se ausenta. É feliz quem compreende que pessoas têm mais valor do que coisas; que família é presente de Deus e amizade é uma arte que torna a vida mais bonita. Amar é escolher o essencial; é dizer o que se deve; é escutar a quem se deve escutar; é estar ao lado de quem necessita de nossa presença; fazer o que é preciso. Pode ser que para você, hoje, o essencial seja perdoar ou pedir perdão. Pode ser que seja estar em sua casa como os seus, não sei… O que sei é que a vida é bela para quem sabe priorizá-la, e que é no agora que temos a possibilidade de reescrever nossa história, mudando a direção em que empregamos nosso tempo e nossas energias. Quem ama consegue encontrar tempo para aquilo e para aqueles que realmente são importantes. Quem ama sabe priorizar. A virtude mora na escolha… certa, é claro. Amar é escolher o essencial.

15 de jun. de 2010

OS NETOS E A VIDA

A vida tem uma capacidade extraordinária de fazer com que vivenciemos determinadas experiências fantásticas. É preciso que tenhamos sensibilidade em observar e resgatar na memória fatos que essa nossa vida nos proporciona. Estamos hoje vivendo a Copa do Mundo de Futebol, embora muitas pessoas digam que não gostam de futebol, não há dúvida que a copa muda um pouco o conceito destas pessoas, principalmente quando a seleção brasileira entra em campo. E hoje não foi diferente, andando pelas ruas da cidade, percebe-se que ela se coloriu de verde e amarelo, carros com bandeira do Brasil, camisa da seleção destacando nas vestimentas das pessoas. Eu confesso, que estava um pouco desanimado com a copa, com a seleção até poucos dias e hoje eu entrei no clima. Então você percebe como é importante viver os momentos e sentir que este viver os momentos faz crescer. Acompanhei o jogo ao lado da minha esposa, das minhas filhas e dos três netinhos: a Cecília, o João Vitor e o Rafael, todos três caracterizados de torcedores com peruca, camisa, buzina, corneta, apitos, etc. Pequenos torcedores que estavam vivendo sua primeira experiência de copa do mundo, mesmo sem entender quase nada de futebol. Observando parte da minha família, nas gerações ali presente, fiz um resgate na minha memória e voltei lá em 1966, eu tinha oito anos de idade, era a copa do mundo disputada na Inglaterra, o Brasil tinha sido campeão em 1958 (ano que nasci) e bicampeão em 1962, a expectativa era muito grande e eu vivia a minha primeira experiência de copa do mundo. O time do Brasil era favoritíssimo na teoria, mas na prática não foi isso que aconteceu. Lembro do jogo muito comentado e esperado – Brasil e Portugal, o time português venceu o Brasil de 3 a 1 e despachou a seleção brasileira mais cedo de volta para casa. Mas não foi o resultado que marcou minha primeira experiência em copa, mas sim como eu acompanhei este jogo e isto está gravado muito bem na minha memória. Meu querido e saudoso pai José Augusto Mendes, português de nascimento e brasileiro de coração, junto comigo, sentado no quintal de nossa casa, escutávamos atentos pelo rádio a transmissão da partida (copa ao vivo pela tv, só a partir de 1970) e o coração dele torcia pelo Brasil, mas como ele ficou feliz com a vitória dos seus conterrâneos. Foi um momento único na minha vida, meu pai me passara o gosto de vibrar pelo seu país. Quando meus filhos estavam próximos desta idade, junto comigo, passaram a acompanhar os jogos da seleção na copa e a sairmos pela cidade vibrando com outras pessoas a cada vitória do Brasil. E hoje a vida me deu mais uma oportunidade que para muitos pode parecer simplória, mas para mim foi única, extraordinária. Com meus três netos, torcemos pelo Brasil, vimos o time ganhar sem convencer muito, mas ganhou, ganhou o suficiente para deixá-los felizes e também poderem tanto eles como minhas filhas perguntar alguma coisa que eles não entendiam. Depois do jogo dei uma volta com eles de carro na cidade, eles com as bandeiras gritando o nome do Brasil. Pequenos gestos que marcam e que não tem preço. É preciso fazer a diferença. Hoje, tive a chance de viajar no tempo, fui lá em 1966 e revi aquele momento em que meu pai, foi pai, foi professor de Moral e Cívica – de Geografia, foi meu norte. Valeu pai, valeu minhas filhas, valeu Isabel, valeu meus queridos e amados netinhos.