
A vida tem uma capacidade extraordinária de fazer com que vivenciemos determinadas experiências fantásticas. É preciso que tenhamos sensibilidade em observar e resgatar na memória fatos que essa nossa vida nos proporciona.
Estamos hoje vivendo a Copa do Mundo de Futebol, embora muitas pessoas digam que não gostam de futebol, não há dúvida que a copa muda um pouco o conceito destas pessoas, principalmente quando a seleção brasileira entra em campo. E hoje não foi diferente, andando pelas ruas da cidade, percebe-se que ela se coloriu de verde e amarelo, carros com bandeira do Brasil, camisa da seleção destacando nas vestimentas das pessoas.
Eu confesso, que estava um pouco desanimado com a copa, com a seleção até poucos dias e hoje eu entrei no clima. Então você percebe como é importante viver os momentos e sentir que este
viver os momentos faz crescer.
Acompanhei o jogo ao lado da minha esposa, das minhas filhas e dos três netinhos: a Cecília, o João Vitor e o Rafael, todos três caracterizados de torcedores com peruca, camisa, buzina, corneta, apitos, etc. Pequenos torcedores que estavam vivendo sua primeira experiência de copa do mundo, mesmo sem entender quase nada de futebol.
Observando parte da minha família, nas gerações ali presente, fiz um resgate na minha memória e voltei lá em 1966, eu tinha oito anos de idade, era a copa do mundo disputada na Inglaterra, o Brasil tinha sido campeão em 1958 (ano que nasci) e bicampeão em 1962, a expectativa era muito grande e eu vivia a minha primeira experiência de copa do mundo. O time do Brasil era favoritíssimo na teoria, mas na prática não foi isso que aconteceu. Lembro do jogo muito comentado e esperado – Brasil e Portugal, o time português venceu o Brasil de 3 a 1 e despachou a seleção brasileira mais cedo de volta para casa.
Mas não foi o resultado que marcou minha primeira experiência em copa, mas sim como eu acompanhei este jogo e isto está gravado muito bem na minha memória. Meu querido e saudoso pai José Augusto Mendes, português de nascimento e brasileiro de coração, junto comigo, sentado no quintal de nossa casa, escutávamos atentos pelo rádio a transmissão da partida (copa ao vivo pela tv, só a partir de 1970) e o coração dele torcia pelo Brasil, mas como ele ficou feliz com a vitória dos seus conterrâneos. Foi um momento único na minha vida, meu pai me passara o gosto de vibrar pelo seu país.
Quando meus filhos estavam próximos desta idade, junto comigo, passaram a acompanhar os jogos da seleção na copa e a sairmos pela cidade vibrando com outras pessoas a cada vitória do Brasil.
E hoje a vida me deu mais uma oportunidade que para muitos pode parecer simplória, mas para mim foi única, extraordinária. Com meus três netos, torcemos pelo Brasil, vimos o time ganhar sem convencer muito, mas ganhou, ganhou o suficiente para deixá-los felizes e também poderem tanto eles como minhas filhas perguntar alguma coisa que eles não entendiam. Depois do jogo dei uma volta com eles de carro na cidade, eles com as bandeiras gritando o nome do Brasil. Pequenos gestos que marcam e que não tem preço. É preciso fazer a diferença.
Hoje, tive a chance de viajar no tempo, fui lá em 1966 e revi aquele momento em que meu pai, foi pai, foi professor de Moral e Cívica – de Geografia, foi meu norte. Valeu pai, valeu minhas filhas, valeu Isabel, valeu meus queridos e amados netinhos.
Queridos Jorge e Isabel, tenho acompanhado teu blog, apesar de ainda não ter colocado meu nome aí (falta de prática nestas novidades da internet. Mas estou aprendendo). Mas não poderia deixar de mandar um beijo pra vocês depois de me emocionar com estas memórias. nunca podemos deixar de agradecer ao bom Deus por nos fazer viver em famílias como as nossas.
ResponderExcluirbjos no coração
Foi emocionante ler seu texto.Vcs são 10.Parabéns pela família.Continuem dando exemplo de unidade e amor.
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